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domingo, 14 de outubro de 2012

Vamos Cercar S.Bento




Este não é o nosso Orçamento !

É cada vez mais evidente - a não ser para um governo que segue fanaticamente, e sem olhar a meios, o programa da Troika - que este caminho não nos serve. Temos saído repetidamente à rua para exigir que sejamos ouvidos, para mostrar que estamos indignados com tanta insensibilidade social e com tantos jogos políticos que conduzem sempre ao mesmo resultado: mais pobreza, mais desemprego, mais precariedade, mais desigualdade social, mais austeridade, menos futuro! Saímos à rua porque é nela que mora a última esperança de liberdade quando os governos se tornam cegos, surdos e mudos face às justas exigências de igualdade e justiça social. Saímos à rua porque estes governos apenas se preocupam com a aplicação suicida de políticas pensadas para proteger os mais ricos e os interesses financeiros. Voltaremos a sair à rua em Portugal, em Espanha, na Grécia e em tantos outros lugares pelas mesmas razões essenciais: queremos uma economia virada para as pessoas, uma democracia com direitos para todos e todas sem discriminações e um planeta onde possamos coexistir de forma sustentável e cooperante.

Se o povo quiser, o povo decide, por isso vamos para a rua a 15 de Outubro dizer de forma clara e definitiva que recusamos o retrocesso social imposto, que este não é o caminho e que queremos uma vida digna. Queremos recuperar a nossa responsabilidade sobre o nosso futuro. Governo para a rua já!

Em Portugal, como em Espanha, cerquemos o Parlamento!

              A Tertúlia Liberdade também convoca o Cerco a S. Bento

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Resposta à Crise que Nos Aflige


A Greciarização do nosso país prossegue a grande velocidade. Com aumentos da TSU, ou do IVA e do IRS. Com cortes de toda a ordem sobre os salários e as pensões de reforma. Com a abolição de apoios sociais, na saúde como na educação, no apoio às crianças como aos deficientes, a estratégia de empobrecimento do povo português mantém os seus contornos e acelera-se. "Para salvar a economia nacional", berram os políticos actualmente de serviço, numa gritaria ensurdecedora, sem que jamais definam aquilo de que estão a falar, sempre envoltos em estatísticas e linguagem em politiquês e economês, para que aqueles que os sustentam, os humilhados ofendidos de ontem e de hoje, não percebam o que se esconde por detrás dos corriqueiros e dissimuladores discursos grandiloquentes dos políticos profissionais. Ou seja, a transferência do rendimento dos trabalhadores para as mãos dos capitalistas.
"Não há nenhuma outra saída", repetem exaustivamente os propagandistas de todos os matizes. E, não satisfeitos, injuriam-nos até à náusea, "Assumimos um compromisso que temos a obrigação de respeitar", como se a dívida estatal fosse semelhante à divida de uma família. Repisando constantemente as falsidades com que nos perseguem, "Precisamos de pagar aquilo que devemos". "Sim", insistem os propagandistas, "necessitamos desses empréstimos externos para custear as despesas indispensáveis, como os salários dos funcionários e as pensões de reforma"... Quase sempre concluindo, cinicamente, "Os portugueses consumiram acima das suas possibilidades".

Hoje, mais do que nunca, temos de desmascarar este cortejo de falsidades. Quando essa corja diz que "tem de cumprir os compromissos assumidos", mente de forma vergonhosa. Qualquer compromisso, destinado ao pagamento da dívida externa de um estado, pode ser renegociado ou anulado, como tem acontecido inúmeras vezes com os mais diversos países. A Alemanha, por exemplo, só agora acabou de pagar as indeminizações com que se comprometeu, depois de ter perdido a 2.a Guerra Mundial. E os EUA têm pago a sua gigantesca e sempre crescente dívida externa, quer com mais dívidas, quer com pagamentos faseados ao longo de 60, 70 e mais anos - num processo habitual, que se traduz no não pagamento de facto, devido à desvalorização do dólar num período tão alargado. Mais recentemente, a Islândia, por seu turno, graças à pressão do seu povo (contrária ao desejo dos políticos do país), forçou a renegociação das condições de pagamento da dívida externa que passa a ser paga por um período de 70 anos e praticamente sem juros. E ainda conseguiram obter uma moratória, que lhes permite não efectuar qualquer pagamento naqueles anos em que o PIB do país não apresente crescimento.
Porque será que estes simuladores profissionais da política têm tanta preocupação com as obrigações contraídas com o pagamento da dívida externa, mas não apresentam a mínima preocupação para com os compromissos que assumiram perante o povo do seu país? Não será porque, para esta corja, só interessa honrar aqueles compromissos que se traduzem em benefícios para o capital e os seus sequazes, e perdas para a população?

E, quando demagogicamente nos martelam os ouvidos com a necessidade desses empréstimos para pagarem, entre outras coisas, os salários e as pensões, abusam da credulidade popular. Recordo que, quando o governo anterior se dirigiu, de chapéu na mão, a mendigar empréstimos aos usurários internacionais, agora representados pela Troika, o PIB português ultrapassava os 180.000 milhões de euros. Hoje já é mais reduzido, porque as medidas impostas pelos sovinas da banca conduzem inevitavelmente ao empobrecimento daqueles infelizes povos que, como nós, lhes caem nas garras. Afinal, o que essa corja pretende é assegurar o pagamento atempado dos empréstimos, concedidos sob a chantagem da obediência e sobretudo o pagamento dos juros leoninos que conseguem extorquir às suas vítimas. E que, no caso português, representam 9.000 milhões de euros/ano, ou seja, a rúbrica de maior montante dos gastos orçamentais do estadoportuguês é constituída pelo pagamento desses juros... Andamos a empobrecer e a trabalhar, aqueles que ainda encontram trabalho, para encher os cofres de semelhantes agiotas e dos seus sequazes nacionais, ou seja, aqueles que jamais são afectados pelos sacrifícios que tanto apregoam... para os outros. Convém lembrar que nunca um país conseguiu livrar-se deste fardo da dívida externa e dos respectivos juros usurários, recuperando a situação anterior à da pretensa ajuda. Excepto um, o Chile de Pinochet, que após 20 anos de mortífera ditadura, melhorou os indicadores macroeconómicos, mas agravou enormemente o fosso entre as classes sociais.
Quanto à balela de "consumirmos acima das nossas possibilidades", é também indispensável desmascará-la. Esses gajos do poder dos diversos governos fizeram, e continuam a fazer, os gastos mais mirabolantes e desnecessários sem jamais nos prestarem contas. Gastam o dinheiro que nos conseguem extorquir através dos impostos, juntamente com aquele outro que pedem aos usurários e nós pagamos, da forma que bem entendem. E jamais nos prestam contas, sempre protegidos pelo abstruso "segredo de estado". O povo não é ouvido nem achado sobre as despesas que essa pandilha faz naquilo que bem entende. Nunca nos prestam contas, mas quando chega a hora de pagar, somos nós que temos de suportar os resultados das suas manigâncias, das suas inúteis negociatas, lucrativas para poucos e ruinosas para a maioria, e dos seus elefantes brancos. Hoje, quando o sistema capitalista sobrevive ligado à máquina estatal, que lhe proporciona os lucros ambicionados graças ao domínio e exploração que, mais do que nunca, exercem sobre o povo, é que se lembram de nós. Para pagar os seus desmandos e ganância.
Fazem acordos, como o da Troika, e nós nem sabemos qual o montante e condições de pagamento, de que forma contraíram esse empréstimo e quais as condições impostas para o pagar. Somos meramente utilizados para os enriquecer. Quem gastou à tripa forra foram os sucessivos governos e os seus mentores do capital, em investimentos e mescambilhas feitas nas nossas costas, acompanhados por um apelo desenfreado ao consumo sem sentido que os bancos com as suas pretensas facilidades de crédito promoveram a seu belo prazer.
E actualmente, ainda por cima, vociferam que consumimos acima das nossas possibilidades? Belo exemplo da hipocrisia e falsidade dos parasitas da política profissional que, eles sim, gastam acima das possibilidades do povo que os sustenta. Só uma luta constante, e de cariz internacionalista, nos pode salvar do destino anunciado por estas políticas, ou seja, o empobrecimento e a degradação das condições de vida da população. E só uma luta fundamentada numa perspectiva de combate solidário, que aponte caminhos para uma nova organização social, em que o paradigma do lucro, hoje hegemónico, seja substituído pela cooperação e pela satisfação das necessidades, nos pode fazer escapar em definitivo do abismo para o qual o capitalismo conduz o povo.

terça-feira, 26 de junho de 2012

A visita de Yorgos em vídeos e artigos de jornal



A Tertúlia Liberdade em parceria com diversos grupos e colectivos trouxe até Portugal Yorgos Mitralias, militante grego com muitos anos de luta e fundador do Syriza. O economista e militante grego contra o pagamento da divida esteve em Portugal para divulgar e explicar a situação dos gregos, agredidos pelo capital financeiro, por intermédio da troika e também na procura da construção de uma rede de grupos e coletivos susceptíveis de gerar uma unidade dos povos da Europa e da bacia do Mediterrâneo contra os inimigos comuns.

Yorgos esteve presente em duas sessões públicas em Lisboa e também passou por Coimbra, Porto e Barreiro e recolheu o agrado e as perguntas e os comentários de assistências claramente interessadas.

Vê aqui os vídeos destes encontros:

Sessão em Lisboa na Biblioteca do Museu Republica e Resistência (com tradução para português):


Sessão em Coimbra (com tradução para português)


E ainda


Yorgos teve oportunidade de dar uma entrevista à Lusa que foi notícia nos jornais.

Lê aqui:  
Ausência de solução politica pode levar a explosão social

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Imposto de Palhota e Outras Rapinagens - A propósito do IMI


O IMPOSTO DE PALHOTA E OUTRAS RAPINAGENS - José Luís Félix

As classes dominantes, estribadas num saber refinado ao longo de séculos, preparam-se para nos fazer pagar os seus desvarios e ociosidades com um exacerbado IMI.
Os capatazes desta pátria de negreiros seguem à risca os ditames dos seus antecessores. Daqueles que na Inglaterra encerravam nas Casas dos Pobres os desnudados de terras e de posses, forçados a trabalhar dia e noite com um único móbil, o enriquecimento dos patrões.  
Ou dos seus sucessores em plena ditadura salazarenta, que açulavam a polícia a perseguir os serranos da Estrela, operadores de teares manuais em suas casas, assim atormentados com a extorsão, o roubo e a prisão. Uma perfídia, destinada a eliminar a concorrência e obter mão-de-obra dócil e a baixo custo para a indústria têxtil.
 Foi gente de semelhante estirpe que, nas colónias africanas, maquinou o imposto de palhota, destinado a acorrentar a população. Sobre a habitação tradicional, construída pelos próprios na sua terra, passou a incidir um imposto, para que lhes fosse consentido   habitá-la! As autoridades, raivosas face à autonomia das populações, assente na economia de subsistência que o uso ancestral das férteis terras comunitárias lhes permitia, decidiram inverter a situação. Para isso fizeram uso de um hábito tão velho quanto o Estado, a imposição do imposto. E semelhante rapina teria fatalmente de ser satisfeita em dinheiro. Na ausência do vil metal só restava àquelas esbulhadas gentes uma saída, o trabalho nas plantações coloniais, a venda da força de trabalho a baixo custo, para conseguirem o dinheirame infligido pela canga fiscal.
 Estavam criadas as novas vítimas da sociedade mercantil, subitamente envolvidas na espiral da necessidade de algo que até ali desconheciam, o dinheiro e a sociedade da mercadoria que o impõe.
 Tratou-se, de facto, de um importante passo naquilo que a desvergonha reinante classifica como um acto civilizador. Acresce que essa intriga foi montada na ausência de escravatura, falsamente extinta no início do século XIX. O salariato, a escravatura moderna, envolvia toda a humanidade.
 Nos dias de hoje somos acossados pelos mandarins hodiernos cada dia com mais impostos, chupistas do fruto do nosso trabalho, quando o alcançamos.
Não satisfeitos com o saque generalizado sobre as carteiras do forçado contribuinte, os  sobas em exercício resolveram recriar o imposto de palhota.
 Agora já não com a imposição do trabalho assalariado, face à sua raridade. Mas com as mesmas perversidades. Ou seja, o temor do amo, que flagela os seus servos com a imolação da precariedade e do desemprego, o pavor do cobrador de impostos, ou a concorrência entre desgraçados e a obediência suportada pelo medo.
 A última trapaça dos novos caudilhos é o abrutado aumento do imposto sobre a habitação, o IMI. Num país onde a política habitacional, favorável à especulação imobiliária e à ganância bancária, impede a criação de habitação para aluguer, quase todos são proprietárias, embora apenas da casa onde residem.
Todos estes proprietários, com dificuldades crescentes para o pagamento da prestação mensal ao banco, cada dia maior face aos salários aceleradamente reduzidos, deparam hoje com um novo pagamento, o actualizado IMI, que os “nossos queridos líderes” decidiram aumentar para meio por cento do valor matricial da habitação.
 E isto representa muitas centenas de euros, nada menos que 500 euros anuais por cada 100.000 euros do valor do registo da habitação. Imagine-se uma casa adquirida por 150.000 euros, pois agora os seus “proprietários” terão de pagar um imposto anual de   nada menos que 750 Euros embora, devido à queda do preço especulativo do imobiliário, sejam actualmente atribuídos  ao seu apartamento  cerca de 90.000 Euros. Estamos, ou não em presença de um novo imposto de palhota? Que nos obriga a cortar em despesas indispensáveis para podermos pagar aos bancos e ao estado.
 Talvez a grosseria do 1º ministro faça assim algum sentido e deva ser levada à prática. Não disse ele que “o desemprego é uma magnifica oportunidade para o desempregado”?.
Aceite a premissa, é preciso levá-la até às últimas consequências. Num mundo em que o trabalho escasseia, talvez seja chegada a altura de lhe por fim. Ao trabalho assalariado, à opressão que lhe dá origem, não à actividade que todos gostariam de exercer.
E imponha-se ao Dr. Coelho a sua receita. Que abandone o cargo, mergulhe no desemprego, descubra esse mundo de oportunidades de que fala e deixe-nos em paz.
E não se esqueça de levar consigo todos os seus parceiros das mais variadas colorações partidárias, que nos exploram e oprimem, com o IMI, a crise e demais invencionices com que estrangulam as pessoas para que os bancos e seus apêndices sobrevivam.
Mas desta vez não vá bater à porta dos amigos capitalistas para o mimarem, como fez após terminar a licenciatura aos 30 e muitos anos, até aí sem registar qualquer actividade profissional, quando num assombroso reconhecimento dos seus méritos, foi nomeado administrador de 4 empresas. Assim não vale, Dr. Coelho!