segunda-feira, 28 de março de 2011

Conversa «Geração à Rasca»

Como habitualmente nas ultimas quintas feiras do mês a Tertúlia Liberdade vai dinamizar no espaço RDA 69 mais uma conversa do ciclo «Que queres fazer da Puta da tua Vida?». O tema será desta vez a «Geração à Rasca» Aparece, participa no jantar e fica para a conversa.

RDA – 69 R. Regueirão dos Anjos nº69, Lisboa

quarta-feira, 9 de março de 2011

O POVO ENRASCADO E OS PODERES RASCAS

Perante a brilhante iniciativa da “geração à rasca”, parece oportuno chamar a atenção para outras “rasquices” por cá existentes.
De facto, não é só essa geração que, uma vez terminados os estudos, se encontra sem emprego, com trabalho precário ou em actividades totalmente diferentes da sua formação académica. Na realidade a grande maioria do povo português encontra-se completamente à rasca. É este o caso de outros jovens que, provenientes de famílias pobres, não tiveram a mínima possibilidade de se dedicarem ao estudo. Desde muito jovens, quase crianças, que buscam emprego, uma qualquer saída que permita a obtenção dos recursos mínimos que lhes assegurem a sobrevivência no seio desta sociedade competitiva e exigente, onde os apelos ao consumismo, ao “cartão jovem” e outras manobras políticas, não têm a mínima correspondência com a realidade profissional em que se procuram integrar.
O que lhes aparece é o trabalho, sempre precário e mal remunerado, destinado aos pobres. Vão para as obras ou para as fábricas que ainda restam, “aprender um ofício” e trabalhar duramente sob ritmos brutais. Empregam-se em lojas, supermercados, pizarias, hotelaria, pequenas oficinas, em mil e um negócios e expedientes, onde são explorados até ao tutano, onde nem sequer a esperança lhes resta. A obrigação é trabalhar arduamente e obedecer, recebendo o ordenado mínimo ou ainda menos. São muitas centenas de milhares de jovens, de que pouco se fala, que, tal como os seus antecessores, se arrastam em busca da pretensa felicidade consumista prometida pelos políticos e media dominantes, mas que jamais chega.
Mas, além destes, temos os seus pais, cansados e desiludidos por um trabalho estupidificante, mal pago e em grande parte vitimas da precariedade, quando não do desemprego. Na maioria, vivem em casas antigas da cidade maior ou em subúrbios distantes, que lhes acrescentam 2 a 3 horas diárias de labor, ou mais, ao volante em filas sucessivas ou transportes públicos superlotados. A sua existência está permanentemente condicionada pelo garrote das prestações mensais, sobretudo da casa e muitas vezes do carro, que lhes levam uma enorme fatia do rendimento. O tempo para o lazer, a cultura, o divertimento, a família, a intervenção social e as amizades, é mínimo. Resta a bola e a senhora de Fátima., como escape quotidiano. Os mais velhos, já reformados, sobrevivem na maioria com reformas miseráveis, que são, em grande parte, encaminhadas para os laboratórios farmacêuticos e tratamentos que lhes mantém uma triste existência.
É esta a realidade da maioria da população à rasca, nas condições de vida degradantes determinadas pelos políticos e capitalistas que subjugam o país. Estes poderes rascas, exímios sucessores da “pátria de negreiros” que fomos, mantém a mesma mentalidade de poder autoritário, exibicionista e ignorante, perante um povo que dominam sem vergonha com métodos propagandísticos e repressivos dignos dos senhores de escravos seus antecessores.
Semelhantes poderes rascas estabeleceram um consórcio infame entre o capital e a política, saltando de um lado para o outro sem qualquer vergonha. É uma prática corrente a recruta dos políticos do poder nas maiores empresas e, retirados dos postos de comando, correrem a albergar-se na direcção dessas mesmas empresas. As fraudes, desvios, burlas e trapaças de toda a ordem, fazem parte do cardápio dos privilegiados do mando e dos “grandes” empresários. A fuga aos impostos, através de off-shores, incluindo o da Madeira, e mil e um expedientes, é não só permitida como encoberta. E, se por acaso, algum escândalo maior é posto a nu, logo a justiça se encarrega de encobri-lo através de meras questões formais. No caso dos pobres e trabalhadores, deparamos com uma situação completamente diferentes. Títulos e vozearia estridente, tratam de estigmatizar um pobre que roubou um saco de laranjas, um desempregado que recebeu um subsídio indevido., ou um morador num bairro pobre, apodado de “problemático”. A mentalidade dos negreiros de há dois séculos persiste entre os grupos dominantes, que se pavoneiam e intrigam entre futilidades e gastos sumptuários, face a um povo pobre, trapaceado, anestesiado e enrascado. Só a luta e a auto-organização dos explorados poderá mudar esta situação.

sexta-feira, 4 de março de 2011

primeira quarta-feira do resto dos nossos meses

Decorreu, entre as 18 e as 20 horas da primeira quarta-feira do mês de Março, a concentração para comemorar e homenagear os povos em luta pela liberdade. Estiveram presentes as organizações PAGAN (Plataforma Anti-Guerra Anti-Nato) e os Ritmos da Resistência. A importância do acontecimento mediu-se pelo esgotamento dos panfletos reproduzidos para a ocasião e pelas inúmeras conversas cruzadas, propiciadoras de projectos a concretizar em breve.

Dia 6 de Abril para a mesma hora está marcado novo encontro. Será um prazer encontrarmo-nos outra vez.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Solidariedade com o povo da Palestina e todos os povos oprimidos


CONCENTRAÇÃO - 4ª FEIRA, DIA 2 DE MARÇO
DAS 18 ÀS 20H.- LARGO DE S. DOMINGOS

A TERTULIA LIBERDADE, CONVIDA TODOS OS GRUPOS E PESSOAS, PREOCUPADAS COM A SITUAÇÃO DO POVO DA PALESTINA E DE TODOS OS POVOS SUBMETIDOS AO DOMÍNIO E OPRESSÃO POR PARTE DE FORÇAS ESTRANGEIRAS E NACIONAIS, A CONCENTRAREM-SE TODAS AS PRIMEIRAS 4ªS. FEIRAS DE CADA MÊS, ENTRE AS 18 E AS 20h. NO LARGO DE S. DOMINGOS, PARA PROTESTARMOS CONTRA ESSA SITUAÇÃO E MANIFESTARMOS A NOSSA SOLIDARIEDADE PARA COM ESTES POVOS.

A PRIMEIRA CONCENTRAÇÃO É JÁ NA 4ª., DIA 2 DE MARÇO
COM DIÁLOGO ENCONTRAREMOS FORMAS DE APOIO
4ª FEIRA VAMOS AO LARGO DE S. DOMINGOS!

SOLIDARIEDADE COM O POVO DA PALESTINA E
TODOS OS POVOS OPRIMIDOS

Às primeiras 4ªs Fªs. de cada mês no Largo de S. Domingos
Das 18 às 20H.



MANIFESTO

O povo da Palestina, submetido a violenta opressão por parte do estado israelita, é vulgarmente ignorado pelos meios de informação dominantes. A débil opinião pública portuguesa é atraída pelas parangonas, imagens sufocantes e ensurdecedora vozearia que gira em torno das notícias da moda. Como os títulos de escândalos, raptos, sexo, crimes furibundos ou ilusórios, que podem embalar o imaginário de cada destinatário, mero consumidor alheado da realidade social.



E, no entanto, o caso do povo palestiniano, diz respeito a cada um de nós. Imagine-se o que seria a invasão de Portugal por uma enorme força estrangeira, apoiada nas armas e dinheiros dos EUA. Para nos dominar e tornar-nos estrangeiros na nossa própria terra, servos dos invasores, à sua mercê, assistindo à apropriação de terras alentejanas e minhotas, da costa do Algarve, à usurpação de quase todo o Ribatejo e muito mais. E não poderíamos frequentar esses colonatos do invasor, seríamos mesmo obrigados a exibir passaporte para nos deslocarmos na nossa própria terra. Como responderíamos, quando às pedradas dos nossos filhos, fartos da arrogância dos colonos e militares invasores, estes respondessem com tiros, assassinando as nossas crianças? Como reagiríamos?


No entanto, muito mais do que isto se passa há largas décadas no território da Palestina, onde até o nome de Palestina é proscrito, substituído pelo genérico “árabe”, para retirar a identidade à população. Tudo perante a conivência e o silêncio de muitos, de demasiados, de gente sem coluna vertebral, que há muito trocou os princípios pelos interesses.


É esta a realidade que nos envolve. Os interesses, o lucro, o domínio e a chamada política real, dominam os governos que, por seu turno, nos dominam a nós. E, no entanto, somos nós, o povo sofredor e anestesiado, que tudo produzimos, e pagamos, as próprias algemas com que nos calcam e extirpam a liberdade.


Em Portugal, como por todo o mundo, os povos, anestesiados pela propaganda massiva e por um ilusório music-hall permanente, deixam-se embalar por vãs ilusões, iludidos por falsas promessas de futuros radiosos, repetidas pelos enormes mistificadores da politica profissional e pelos grandes manitús do capital e seus mercenários da caneta. Temos de nos sacrificar por causa da crise, é tudo pela pátria, o futuro vai ser risonho, repetem até à exaustão. Mas o que está em Portugal não é de todos os portugueses! Só de alguns poucos, os mesmos de sempre. E nos outros países é o mesmo. E que democracia é esta, em que a igualdade só existe no acto do voto? A desigualdade é a regra e a democracia económica, a igualdade real, apavora esses grupo minoritários do poder e do domínio.
E, fora da Europa, dos EUA e pouco mais, é ainda pior. Abundam as tiranias, mais visíveis em África, na Ásia, por todo o lado. Se esses povos procuram libertar-se e ver-se livres das garras que os submetem, logo acorrem pressurosos os verdadeiros conselhos de administração do capital, que são os governos europeus, dos EUA e outros, a aconselhar calma, tranquilidade, consentindo um pouquinho de liberdade.


Tudo isso se tornou bem claro na revolta do Egipto, quando o povo, em greve geral e manifestações constantes, afastou o ditador. Constantemente lhe telefonava o Obama, com conselhos e exigências. Proclamava estar muito preocupado. Onde estava essa preocupação, quando ao longo de décadas o tirano roubou, assassinou trabalhadores e retirou as liberdades ao povo, obrigado a viver na miséria?


É chegado o momento de dizer basta! De vir para rua protestar, de informar, de dialogar, de manifestar o nosso apoio à luta do povo palestiniano e de todos os povos! De estabelecer solidariedades com aqueles que pensam como nós!

segunda sessão do «Que fazer com a puta da tua vida?»

Segunda sessão

“Que fazer com a puta da vida?”

Dia 24 de Fevereiro de 2011 pelas 21:30 cumpriu-se o ritual. Uma conversa à volta com tema livre inspirado no mote da iniciativa. Primeira volta cada um disse quem era – estudantes quase todos, artistas potenciais muitos, estrangeiros alguns. Numa segunda volta só os mais jovens falaram, porque é essa a regra do jogo. E falaram se quê? Trabalho e o modo de tirar prazer do trabalho, ou pelo menos evitar um trabalho alienante. Todos tinham esperança de encontrar o que ainda não encontraram. Seja por via do conhecimento seja por via da arte.
Chegados ao fim da segunda volta uma terceira volta revelou-se intolerável. As conversas dispersaram-se bem como os participantes. Nalguns terá ficado a pergunta – que nunca foi dita – que concluir daqui? Como concluir isto?
O Zé Luís teve então que intervir para usar a sua experiência e explicar como o assalariado é exploração e escravatura. Já na apresentação um participante tinha falado disso, muito ao de leve. Mas o tema não pegou nem preocupou os restantes.
Na verdade foi um sucesso tanto de participação (15 pessoas, mais ou menos) como de interesse pela participação (as pessoas mantiveram-se até ao fim). Pode ter sido estranho, talvez, resistir a um fim sem conclusão, sem comunhão. A dispersão, todavia, pode não ser uma coisa má. Deve haver espaço e tempo para tudo.
A prova dos nove será dia 24 de Março: será que a sessão continuará a chamar participantes?

O que se conversou no encontro com Georges



A França e o Mundo Árabe foram o tema da conversa dinamizada pela Tertúlia Liberdade na passada sexta-feira na Livraria Letra Livre no Bairro Alto. Georges, militante anarco-sindicalista da Confederation Nationale du Travaille de França dinamizou durante quase duas horas uma troca de ideias frutuosa e participada.

Na conversa falou-se da situação actual no Magrebe e Médio Oriente mas também das condicionantes históricas e sociais que estão na origem dos acontecimentos. Ficou claro que as contestações que agora decorrem não surgiram do nada nem se devem apenas aos jovens utilizadores do Facebook e da Internet.

Tanto no Egipto como na Tunísia e Argélia existem antecedentes de grandes lutas e de grandes repressões que antecederam as recentes movimentações. Georges chamou a atenção nomeadamente para as lutas desenvolvidas há cerca de dois anos pelos trabalhadores da bacia mineira da Tunísia, e para o papel da UGTT (União Geral dos Trabalhadores Tunisinos) nesses acontecimentos. Também no Egipto aconteceram no passado recente situações semelhantes de luta popular intensa que nasceram a partir de contestações laborais que entretanto soçobraram devido à repressão.

Os regimes tunisino e egípcio embora de cariz totalitário e repressor sempre se reclamaram de uma fachada socialista e permitiam a existência de sindicatos que tentavam controlar, mas onde sempre existiram actividades que escaparam a esse controle. Um pouco como se passou entre nós antes do 25 de Abril. É bom não esquecer que os partidos no poder na Tunísia e Egipto eram membros da Internacional Socialista como é o PS de Sócrates.

A questão religiosa tão falada pelos média não passa segundo Georges de uma falsa questão. Historicamente os grupos religiosos integraram-se nos movimentos de luta anti-colonial ao lado de outros grupos sem que dai tivesse resultado qualquer hegemonia. O Islão é hoje agitado como um papão junto das opiniões públicas europeias exactamente pelos mesmos que conviveram e confraternizaram com os ditadores agora destituídos.

Os dirigentes da União Europeia e os comentadores televisivos que a toda a hora invocam a questão religiosa e os perigos do Islão são os mesmos que defenderam o apoio aos regimes tirânicos agora depostos. Não faz ainda muito tempo que Sócrates e outros dirigentes europeus de visita ao Magrebe estendiam a mão a estes ditadores e assinavam com eles acordos de cooperação económica e de controlo de fronteiras sem qualquer pudor.

A questão da Palestina foi também colocada a Georges que já visitou por diversas vezes este território. Aqui os problemas são diferentes e estão marcados pela extrema pobreza, pelo desemprego e corrupção. A Autoridade Palestiniana tenta implantar na Cisjordânia os alicerces do novo Estado Palestiniano criando uma vasta rede de funcionários. Assegura assim o controle social das populações ao mesmo tempo que esvazia os grupos políticos não alinhados, cujos simpatizantes ficam sem acesso ao emprego público.

Por ultimo e como não podia deixar de ser falou-se das lutas sociais em França. Georges explicou que estas ocorreram muito por pressão das assembleias de trabalhadores nos próprios locais de trabalho. Em França devido à existência de várias centrais sindicais existe o hábito de as grandes questões laborais serem decididas em assembleias no local de trabalho. Nestas os representantes das diversas centrais sindicais expõem as suas opiniões tentando conquistar os trabalhadores para os seus pontos de vista. A existência de uma maioria esmagadora de franceses contra a alteração da idade de reforma foi o terreno fértil onde cresceu a luta.

Embora aparentemente a luta tenha fracassado, a verdade é que a radicalização das lutas permitiu que naqueles «dias quentes» alguns patrões acossados tivessem oferecido melhores condições de trabalho e melhorias remuneratórias que se mantêm. Mas o mais importante foi que os trabalhadores franceses redescobriram, naqueles dias, novas formas de organização intersectorial e interprofissional que nunca tinham experimentado antes.

Os bloqueios das fábricas e gasolineiras por exemplo, foram feitos por trabalhadores de outros serviços permitindo assim que os trabalhadores das mesmas escapassem à repressão patronal no local de trabalho. Esta solidariedade e cooperação que saltou as fronteiras da empresa, da localidade e do grupo profissional é um acontecimento que não será esquecido tão cedo.

As novas formas de luta e organização ensaiadas e experimentadas pelos trabalhadores franceses no movimento contra a Lei da Reformas de Sarkozy podem a qualquer momento regressar. Se aconteceu uma vez pode voltar a repetir-se.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Quinta-feira debate na RDA 69

Na próxima 5ª feira dia 24, realiza-se o segundo debate promovido pela Tertúlia Liberdade, subordinado ao tema "O que queres fazer da puta da tua vida?". Tal como os outros debates deste ciclo, irá realizar-se na RDA 69, Rua Regueirão dos Anjos, 69 (Metro Anjos).
ENTRADA LIVRE E SAÍDA TAMBÉM!
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