terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Quinta-feira debate na RDA 69

Na próxima 5ª feira dia 24, realiza-se o segundo debate promovido pela Tertúlia Liberdade, subordinado ao tema "O que queres fazer da puta da tua vida?". Tal como os outros debates deste ciclo, irá realizar-se na RDA 69, Rua Regueirão dos Anjos, 69 (Metro Anjos).
ENTRADA LIVRE E SAÍDA TAMBÉM!
PARTICIPA E DIVULGA! PARTICIPA E DIVULGA!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A França e o Mundo Árabe



Na próxima 6ª feira dia 18 de Fevereiro a Tertúlia Liberdade, promove uma conversa com o militante anarco-sindicalista da CNT Paris Georges, de passagem por Lisboa. Esta conversa será em português e terá como tema «A FRANÇA E O MUNDO ÁRABE». Será às 21,30 horas na Livraria Letra Livre, situada na loja da Galeria Zé dos Bois na Rua da Barroca, 5 ao Bairro Alto.

PARTICIPA! DIVULGA! PARTICIPA! DIVULGA! PARTICIPA! DIVULGA!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

quem somos?

AS LINHAS GERAIS DA TERTÚLIA LIBERDADE

A Tertúlia Liberdade, define-se, desde o seu início há 3 anos, como um grupo de pessoas que procuram reflectir e agir sobre a cena social, política e cultural portuguesa de forma autónoma, isto é sem se sujeitar a orientações partidárias, estatais ou de quaisquer instituições. Desde então que mantemos a nossa independência, articulando esforços e colaborando com associações congéneres numa base de igualdade e respeito mútuo, procurando fomentar a cooperação entre grupos e, partindo da realidade portuguesa que melhor conhecemos, para o desenvolvimento de uma perspectiva internacionalista, segundo o conceito de agir localmente mas pensar globalmente.
A esta autonomia é necessário acrescentar outros dois aspectos básicos da nossa reflexão e acção, a defesa da liberdade e o fomento da auto organização.
A Liberdade que defendemos está bem expressa no pensamento bakuniniano, é uma liberdade que tem em consideração os aspectos sociais, não se limitando a uma visão meramente individualista que, as mais das vezes, transborda para o egoísmo mais flagrante. Esta liberdade define-se a partir do seguinte conceito, “A minha liberdade é tanto maior, quanto maior for a liberdade do outro, porque a minha liberdade é reflectida pelo outro, que funciona como um espelho para mim. Por isso não posso ser livre se me confronto com outros, enquanto servos ou amos”. A liberdade assim definida conduz à igualdade e pode também ser referenciada como dignidade. É a minha dignidade que está em causa quando me retiram um pedaço que seja da minha liberdade.
Outro conceito em que nos baseamos é a auto-organização, definida como a capacidade e possibilidade efectiva de cada pessoa e cada colectivo de qualquer ordem, poder organizar e dirigir a sua vida, o seu projecto, seja de que espécie for, sem amos, nem interferências de terceiros. Tudo isto fora de qualquer tentativa de um isolamento contra o outro, mas sim de cooperação com todos numa base de igualdade, de cooperação e de dignidade.
Um outro aspecto ainda, que temos aperfeiçoado ao longo do tempo, diz respeito aos elementos da Tertúlia Liberdade. Embora a Tertúlia Liberdade se reveja em muitos aspectos identitários da ideologia anarquista e vários entre nós perfilhem essa perspectiva, a Tertúlia Liberdade não se define como uma associação anarquista, é na verdade uma associação sem chefes, com decisões tomadas por consenso e sem pretensões hegemónicas. Pretendemos isso sim, trocar experiências com outros e avançar na cooperação, nacional e internacional. Num sentido igualitário e federalista. Todos aqueles que aceitem e levem, à prática estes princípios mínimos são bem aceites no nosso colectivo.
Por fim, a diferença que por vezes possa existir entre vários pontos de vista dos companheir@s é enriquecedora, obriga-nos a reflectir e faz-nos avançar. É indispensável evitar a uma perigosa unanimidade aparente e balofa.
Estes serão os nossos princípios básicos, os tijolos que permitirão continuar a edificação da nossa Tertúlia com segurança e que, se o movimento social o exigir, nos darão a possibilidade de dispor da ética necessária às respostas a dar. E, como disse um filósofo, a ética é estar à altura dos acontecimentos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O debate de Janeiro

No passado dia 27 de Janeiro iniciou-se na RDA 69 o ciclo de debates mensais promovidos pela Tertúlia Liberdade, todas as últimas quintas-feiras de cada mês neste local e subordinados ao tema "O que queres fazer da puta da tua vida?".

O convidado desta sessão, Marco Montenegro, começou por expor o seu ponto de vista salientando que na Europa, e no mundo dito "ocidental", perspectivar escolhas na vida, passa muitas vezes por escolher o que consumir, quando, como e com quem e o individuo atomizado tende a produzir a sua identidade numa relação intima com os objectos de consumo, que o definem e delimitam perdidas que foram as referências à comunidade, ao bairro, à relação com a terra e com o trabalho, num sentido de classe, proletário ou operário.
Mas hoje a sociedade da abundância, ou a abundância na sociedade, já não parece estar ao alcance de todos. A crise que se instalou já não é só económica mas também psicológica porque acabou-se o refúgio no consumo e as pessoas não sabem reagir ou ter uma capacidade crítica sobre os acontecimentos. Amestradas que foram para se atomizarem, não conseguem deslumbrar mais nada para além do círculo dos "mercados", problema e solução único; porque se esqueceram das velhas utopias socialistas que ensinaram às sucessivas gerações do passado que nada é conquistado e mantido sem muito sangue e suor colectivo.
A sobrevivência e a felicidade passam no cada um por si ou num sentir colectivo? As lutas recentes na Grécia, na França, Itália, Inglaterra e Ucrânia parecem indicar que existem outros caminhos que não passam pelo retomar do consumo numa sociedade de indivíduos atomizados. O convidado concluiu citando Emídio Santana «a nossa vida não é a simples fatalidade de existir mas de sermos agentes do nosso próprio processo histórico».
Seguiu-se um animado e participado debate entre as cerca de trinta pessoas presentes sendo de destacar o seguinte: assistiu-se à defesa das cooperativas de produção e distribuição alimentar como uma necessidade básica descurada pelo actual sistema, por contraponto à revolução política, que ninguém defendeu.
Insistiu-se na necessidade de um ensino capaz de preparar as pessoas para a autonomia em vez de para a servidão e o seguidismo. Ouviram-se denúncias, algumas na primeira pessoa, sobre o funcionamento perverso dos serviços sociais. Foram contadas histórias de outros lugares, nomeadamente de Barcelona, onde a auto-organização cooperativa animou e anima a vida de muita gente. Registou-se uma diversidade de participações e interesses e um bom clima de diálogo, que se pode melhorar e fazer enraizar.
O próximo debate, no dia 24 de Fevereiro, terá como convidado o André Vicente, participante que se voluntariou para animar o arranque das discussões.


domingo, 23 de janeiro de 2011

o que queres fazer da puta da tua vida?

A Tertúlia Liberdade, em colaboração com o GAIA, inicia na próxima 5ª feira, dia 27, pelas 21H., na RDA, R. Regueirão dos Anjos, 57 (metro Anjos), uma série de debates mensais sob o tema "O que queres fazer da puta da tua vida?".
Iniciará o debate o convidado Marco Montenegro e queremos desenvolver este tema, perceber o queremos fazer no meio desta merda e como.

PARTICIPA !!! DIVULGA!!!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A Onda Livre de novo no ar

A "Onda Livre" o programa de rádio da Tertúlia Liberdade está de novo no ar. Escuta aqui:

Penúria alimentar

SOBRE A PENÚRIA NA ALIMENTAÇÃO


Quantos de nós se querem alimentar e não podem, passam fome ou comem alimentos impróprios para a saúde? Milhões em Portugal, biliões no mundo. Porque é que se destroem alimentos, enquanto tanta gente passa fome e luta com dificuldades para se alimentar? Porque é que se deita o peixe pescado ao mar, se deixa apodrecer a fruta e se abandonam os campos que poderiam produzir alimentos? Tantas perguntas e tão poucas respostas, para além da conversa da treta dos mercados, da crise e por aí fora. Tudo isso dito em tom que não admite resposta pelos políticos, economistas, propagandistas desta situação e outros simuladores da mesma espécie. Todos eles se apresentam bem nutridos, reluzentes, brilhantes e bem vestidos, e não fazem ideia do que são dificuldades. Embora todos nos assegurem que este é um problema muito complexo dos tais mercados, que todos ignoram menos eles, e é preciso apertarmos ainda mais o cinto para que venha aí um maná de prosperidade num futuro desconhecido..

É essencial combater esses aldrabões enfarpelados, as suas mentiras e falsas promessas, se quisermos sair do lodaçal em que esta corja nos mergulhou. Antes do mais, convém salientar que nesta organização social existente, o capitalismo, todos os actos dos capitalistas têm uma intenção fundamental, a obtenção de lucro. Ganhar dinheiro e ter segurança no capital investido, é o que interessa aos capitalistas, donos de super mercados, bancos, sociedades de investimentos, propriedades agrícolas, fábricas e todos os restantes factores de produção, de troca e financeiros. Essa gente é que decide, sem nos consultar nunca, o que devem fazer. Fecham fábricas, deixam os campos ao abandono, especulam, jogam na bolsa, fazem guerras e muito mais, com um único objectivo, o lucro, o seu guia, deus e senhor. Não lhes interessam as necessidades do povo, e o seu sofrimento. Limitam-se a controlar-nos, sobretudo com propaganda e repressão de toda a ordem. Prosperam a fazer promessas de um futuro distante e, quando muito, concedem-nos uma caridadezinha, sempre muito útil na ausência da justiça. Mas receiam a liberdade verdadeira, que acompanha a dignidade e a igualdade. Esta igualdade só está presente no voto, mas é uma miragem na justiça social, que os aterroriza. A igualdade e a propagandeada democracia são completamente ignoradas por exemplo no local de trabalho, na justiça e na distribuição da riqueza produzida. Esta sociedade apregoa-se democrática mas somos obrigados a obedecer a tudo o que querem os chefes e patrões e a suportar que essa gente do mando e da riqueza esteja cada vez mais rica, enquanto o povo fica cada vez mais pobre. Onde estão a liberdade e a justiça?

Essa gente do dinheiro joga, por exemplo, na Bolsa de mercadorias de Chicago, onde se transaccionam as matérias-primas do mundo inteiro. Podem comprar seja o que for, como o trigo a 20 euros a tonelada, mas nem sequer querem o trigo, é pura especulação. Ficam com um titulo de compra para dali a 1 ano, por exemplo, receberem esse trigo a 20 euros/tonelada e nem sequer o utilizam. Tratam de o revender a um preço mais elevado a outros especuladores, retirando lucros chorudos. Esses outros muitas vezes também vendem esse título de compra a um preço ainda mais elevado, ficando com a diferença, ou seja, obtendo bom lucro. E isto acontece inúmeras vezes. Resultado, o preço de 20/euros a tonelada acaba por ficar a 35 ou mais e muitos desses compradores ficam-se apenas pela especulação, nem sequer se servem da mercadoria real. Por isso os preços do trigo, como os de muitos alimentos, aumentam brutalmente e muitas pessoas não conseguem depois adquirir os produtos que tem o trigo como matéria-prima, casos do pão, das massas e tantos e mais. E isto passa-se com tudo, carne, peixe, fruta e por aí fora.

Mas também dentro de um país, como em Portugal, a especulação floresce e os bancos, que financiam os proprietários, na agricultura como outras fases da produção, pedem juros exorbitantes pelos empréstimos. Quem paga tudo isso? O consumidor naturalmente e por isso, aqueles de poucas posses, muitas vezes não conseguem alimentar-se devido aos preços elevados e aos baixos salários e reformas.

No meio de tudo isto o Estado apoia estes salteadores do povo, e invoca a crise e outras cortinas de fumo apenas com uma intenção, evitar que reivindiquemos aquilo que é nosso, fruto do nosso trabalho, passado e presente.

Alguns podem perguntar, mas não há leis que evitem isto? Há leis, claro, feitas e sobretudo aplicadas, pelos interessados em que tal estado de coisas se mantenha. Leis concebidas para defender estes exploradores e afastar-nos da defesa dos nossos interesses.

“Escolham os vossos representantes”, dizem os políticos profissionais, durante os períodos eleitorais, mas nós, que sustentamos toda a engrenagem com o nosso trabalho, não podemos alterar esta roubalheira, nem somos ouvidos quando eles concebem as leis do nosso descontentamento. A igualdade nesta democracia é só de 4 em 4 anos, perante o voto. E, no entanto, somos nós que temos produzido toda a riqueza ao longo dos séculos. O poder do estado é destinado a defender essa canalha. Já viram alguma vez a policia ir prender um capitalista que nos mente e explora? Mas se ocuparmos a fábrica em protesto, não faltam polícias para nos atacarem. E também nunca se viu um político profissional no desemprego.

A ligação entre os capitalistas e os chamados homens de estado é mais do que evidente, saltam a cada momento de um taxo do estado para o de uma companhia ou banco e vice versa, e defendem os mesmo tipo de interesses, ou seja, o domínio sobre o povo e a exploração.

É chegada a altura de reflectirmos sobre tudo isto, de dizermos basta! e agirmos de forma autónoma e livre. Antes que esta gente do dinheiro e do poder nos reduza a pão e água, para entregarem mais dinheiro aos bancos e manterem esta cruel e caduca organização social.

TERTÚLIA LIBERDADE


(Texto distribuído no Barreiro durante a acção do Comida!Bombas não.)