quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

balanceando II


No dia 8, numa sala cheia e animada, a assistência escutou as intervenções e dialogou com os membros da mesa, coordenada pelo sociólogo António Dores, e contando com os historiadores Teresa Neves, Paulo Guimarães e o jovem LBC, morador num bairro predominantemente africano - a Cova da Moura.



Foram abordadas as questões da escravatura, a sua origem e consequências, bem como a situação actual de pauperização e dependência de grande parte da população, numa sociedade em que a escravatura está ausente, mas onde a exploração assume formas bem cruéis de marginalização.

balanceando I

No fim de semana de 8 e 9 Dezembro, a Tertúlia Liberdade (tertulialiberdade.blogspot.com), tomou a iniciativa de assinalar esta data - fez 2 séculos que a Câmara dos Lordes inglesa aboliu oficialmente o hediondo tráfico de escravos.

Esta celebração tornou-se possível com a graciosa colaboração dos diversos artistas, Maria das Graças e Pedro Mota na Poesia, Mestre Chá Preto na Capoeira, e os músicos José Mário Branco, Naidy Barreto, Tino Flores, Cantadores da Rusga, Couple Coffe e Kova.M.Most. Muitos amigos nos apoiaram e tornaram possível este evento, como a Joana Viegas na concepção do cartaz, as Livrarias Letra Livre, Ler Devagar e Eterno Retorno, a Editora Deriva, os Jornais Conversas de Café e Mudar de Vida, o Alain Vachier e o Vítor Sarmento no som, a D. Fátima e os seus filhos nos cozinhados e muitos mais que se solidarizaram com a iniciativa.

A nossa Tertúlia entendeu que se tornava imperiosa esta abordagem num país em que a escravatura foi fundamental, facto que os diferentes poderes, procuram escamotear.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Bom Ano no caminho da utopia

NO CAMINHO DA UTOPIA

A utopia está lá no horizonte.
Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos.
Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.
Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.
Para que serve a utopia?
Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.

Eduardo Galeano

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

terça-feira, 27 de novembro de 2007

200 anos de denúncia da escravatura

200 anos de denúncia da escravatura

DIAS 8 E 9 DE DEZEMBRO

LIVRARIA LER DEVAGAR/ LIVRARIA ETERNO RETORNO
Rua Fábrica de Material de Guerra – Poço do Bispo
Lisboa

PROGRAMA


Sábado, 8 de Dezembro


Das 18.00 às 20.00 A escravatura - origens, consequências e exploração actual

Comunicações
de: Paulo Guimarães (historiador - Portugal); Tereza Neves (historiadora - Cabo Verde); Sérgio Mesquita (historiador - Brasil); Robert King (activista/Panteras Negras - EUA); Jovem morador da Cova da Moura.

Segue-se convívio no Bar



Domingo, 9 de Dezembro

18.00 Sessão de Capoeira com Mestre Chá Preto
Poesia com Maria das Graças (artista brasileira) e Pedro Mota

19.30 Jantar africano.
Cachupa cabo-verdiana. Sobremesa: doce de coco
Preço 7 euros (bebidas não incluídas)
Inscrição prévia: tertúlia.liberdade@yahoo.com

20.30 Projecção do filme «Quilombo» de Carlos Diegues

22.30 Música com: José Mário Branco; Naidy Barreto (cantora cabo-verdiana); Tino Flores; Cantadores da Rusga; Couple Coffe (duo brasileiro) Kova. M.Most (rappers africanos) e a Banda Kumpania Algazarra


ENTRADA LIVRE

Autocarros 28, 718, 755, 210, 81 e 82 Estacionamento grátis


Uma iniciativa da Tertúlia da Liberdade com os apoios da Livraria Ler Devagar, Livraria Letra Livre e da Deriva Editores.

Mais informações: http://tertulialiberdade.blogspot.com/

Contacto: tertulia.liberdade@yahoo.com

DIVULGA E APARECE

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A Liberdade

A LIBERDADE – Bakunine

"Não sou verdadeiramente livre senão quando todos os seres humanos que me rodeiam, homens e mulheres, são igualmente livres. A liberdade de outrem, longe de ser um limite ou a negação da minha liberdade, dela é, pelo contrário, a condição necessária e a confirmação. Não me torno verdadeiramente livre senão pela liberdade dos outros, de maneira que, quanto mais numerosos são os homens livres que me rodeiam, e quanto mais extensa e mais larga é a sua liberdade, tanto mais extensa e mais profunda se torna a minha.

É, pelo contrário, a escravidão dos outros que põe uma barreira à minha liberdade ou, o que vem a dar no mesmo, é a sua bestialidade que é uma negação da minha humanidade, porque, uma vez mais, não posso dizer-me verdadeiramente livre senão quando a minha liberdade ou, o que quer dizer a mesma coisa, quando a minha dignidade de homem, o meu direito humano, que consiste em não obedecer a nenhum outro homem e a não determinar os meus actos senão em conformidade com as minhas próprias convicções, reflectidas pela consciência igualmente livre de todos, voltem a encontrar-se confirmados pelo assentimento de toda a gente. A minha liberdade pessoal, assim confirmada pela liberdade de todos, estende-se ao infinito..."

A LIBERDADE – Marcuse

"Só em termos negativos se podem exprimir essas formas novas, porque elas constituem uma negação das formas dominantes. Assim, ter a liberdade económica deveria significar estar liberto da economia, do constrangimento exercido pelas forças e pelas relações económicas, estar liberto da luta quotidiana pela existência, não mais ser obrigado a ganhar a vida. Ter a liberdade política deveria significar para os indivíduos que estão libertos da política, sobre a qual não têm controle efectivo. Ter a liberdade intelectual deveria significar que se restaurou o pensamento individual, actualmente afogado nas comunicações de massa, vítima do doutrinamento, significar que não há mais fazedores de "opinião pública" e não há mais opinião pública.

Se essas propostas têm um tom irrealista, não é porque sejam utópicas, é porque as forças que se opõem à sua realização, são poderosas. Há para sustentar este combate contra a libertação uma arma eficaz e durável, é a fixação de necessidades materiais e intelectuais que perpetuam formas estafadas de luta pela existência".

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Imigração e repressão

IMIGRAÇÃO E REPRESSÃO

Milhões e milhões de pessoas, os deserdados da terra, invadem o mítico bem estar europeu, como já há muito procedem os latino-americanos, ao baterem aos portões bem guardados, fortificados e agora amuralhados do sul dos EUA. As vítimas da troca desigual e da dependência global, recusam-se a morrer tranquilamente de fome nas suas terras, tão abandonadas como eles próprios, porque não possibilitam o ansiado lucro aos despóticos potentados do dinheiro e do poder.

O grande manitú dos tempos que correm, o capital, deixa em pousio não só as terras, como as fábricas e as próprias pessoas não suficientemente lucrativas. Prefere os negócios mais lucrativos, a especulação da bolsa, as guerras e as mais variadas drogas.

Martelados diariamente com as maravilhas dos "ricos", é natural que os "pobres" procurem alcançar o pretenso paraíso. Os portugueses conhecem bem este drama, mais de um milhão fugiu daqui nos anos 60 do século passado, e hoje, com a pobreza a agravar-se diariamente, saem de novo aos milhares em busca de melhor sorte. Isto tudo, apesar da crise que também atinge os países de acolhimento, a qual, uma vez mais, é suportada pelos mais frágeis. Entretanto os ricos ficam cada vez mais ricos e paralelamente aumenta a repressão sobre os pobres. Polícia por todo o lado, justiça em parte nenhuma.

Na sua fúria em defesa dos interesses instalados, os mentores desta injusta sociedade caluniam todos os que procuram chegar à Europa, os "ilegais", como acintosamente os designam. Procuram ignorar que os africanos, os leste-europeus, os sul-americanos e os asiáticos que para aqui se dirigem, quase sempre sujeitos às piores tarefas e à descriminação, são gente como eles e nenhum ser humano é ilegal.

Os promotores das mais variadas formas de barbárie sobre os imigrantes, julgam que através de acções repletas de crueldade irão apavorar todos aqueles que aqui buscam uma vida melhor e assim ninguém mais se atreverá a imitar estes perseguidos de hoje. Vã ilusão. Jamais será possível esmagar a ânsia da liberdade e da dignidade.

Manifestemos por todas as formas o nosso protesto, antes que esta poderosa gente passe à última fase do seu sinistro plano, a guerra total e o extermínio completo de todos os que não lhes obedecem.
Texto enviado para publicação no jornal «O Guetto» da autoria de JLFelix